quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Neste exacto momento tento reencontrar a noite, aquela noite. Mas hoje, até a Lua é diferente.
Vou perseguir o sonho. Pode ser que volte amanhã.

domingo, 28 de outubro de 2012

O que é que se faz a uma mão cheia de realidade que já não se quer?

O que é que se faz a um sonho que não se consegue alcançar?

Entre os dois, balanço, hesito, avanço e recuo incessantemente.
A realidade passa os dias na minha mão, um peso inexorável, perpétuo.
À noite deixo-a cair lentamente e apanho o sonho. Um instante, o espaço entre duas inspirações.
Depois vem a madrugada - o calor do sonho recua. O gelo volta a avançar, mais frio que antes.

O que é que se faz a esta realidade que não cessa?
Este vazio com a forma do teu corpo...
Dias inglórios: aqueles em que vamos ao fundo reunir os pedaços.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

E esta escuridão que não se ilumina...
Este silêncio caiado de negro
que sussurra em voz lenta de desgraça
E se estende na madrugada mais fria
Enquanto o som cristalino da Lua
Me embala em ondas de agonia

Passo a passo:
Um - verto o tempo sobre a noite
Dois - cubro-me com o lençol do medo
Três - deixo-me deslizar para lugar nenhum
e desperto... passo-a-passo

...e esta escuridão que não se ilumina!
É um jogo de tudo ou nada. É o único do qual percebo as regras. Não entendo o "meio-termo", o "vai-devagar, dá-tempo-ao-tempo", o "com-paciência-tudo-se-faz". A vida é para hoje. A paciência é a melhor qualidade dos cobardes. O compasso de espera é a miserável desculpa do medo. A "esperança" no futuro é a clara demissão do hoje, do momento, da vida! Viver para amanhã, é estar morto para sempre, porque não existe futuro, não existe amanhã! Existe hoje e agora! A cobardia vive sempre "para o futuro". O "futuro a deus pertence". Eu quero o que me pertence agora! Neste preciso momento! Não creio num deus de promessas que aponta para longe. Não creio num deus que não saiba dançar, agora! aqui! Não creio! Acreditar é investir no futuro. Investir no futuro é estar morto numa ilusão, é viver no sacrilégio de negação da vida! Acredito nos sentidos, no sentir vivo e presente, na pele, no cheiro, no sabor da vida! Acredito no querer agora, neste exacto momento, porque é agora que o sinto. Viver para o futuro é como olhar a luz de estrelas mortas há milhares de anos - não nos aquecem o coração, não nos arrepiam a pele, não nos deixam lançar o olhar sobre aquele que nos dá a mão. Estar aqui, é olhar nos olhos e sentir a ternura a derreter-nos como o sol. Amanhã? Amanhã posso estar morta!
É por isso que me elevo neste presente e olho em volta e vejo milhares de olhares fixos em ténues luzes de estrelas mortas. E oiço o meu próprio grito no plúmbeo silêncio da escuridão das estrelas. É aí, nesse lugar de futuro triste e vazio, que o meu sol se recusa a deixar de brilhar. É aí que me dou conta da solidão quente e iluminada que se me cola à pele. Porque nenhum olhar perdido nas estrelas mortas de luz me acompanha neste presente iluminado. Resisto ao grito, desisto do chamamento. A Terra está vazia de presente. Todos vivem no futuro. A morte está aqui disfarçada com as vestes de um amanhã luminoso que não existe.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

sábado, 20 de outubro de 2012

Se a vida te lança uma armadilha e te mente chamando-lhe oportunidade, finge que acreditas e entra nela de cabeça. Afinal, a vida é feita de enganos. Se fingires sempre, faz de conta que estás vivo.
Se a vida te lança uma armadilha, procura que seja uma das boas. Não há nada como morrer nos braços de uma boa mentira.
Levaste o que restava de mim. Trata-o bem, mostra-lhe as estrelas e a lua, deixa que corra livre sobre o teu corpo, beija-o a cada instante como só tu sabes. Não te desfaças desse pedaço que restou, porque é tudo o que tenho, é tudo o que sou. Fica por perto nesta fronteira de infinito em que nos encontramos sempre. Porque todos os teus instantes são infinitos para mim. Fica por perto e guarda nas tuas mãos esse pedaço. Fica, que eu espero.