domingo, 25 de novembro de 2012

sábado, 24 de novembro de 2012

Inspirei profundamente e todos os cheiros se transformaram num único aroma: o teu!

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Repouso entre folhas imaculadamente brancas. Quando se sente um mundo inteiro, muitas palavras são poucas.

sábado, 17 de novembro de 2012

Resisto a todas as formas de pensamento. Deixo-me embalar pelo barulho das rodas no asfalto ao som de "Your latest trick". A noite fecha-se sobre todas as luzes. O mundo parou, e agora tenho que inventar todos os "ses", todos os "talvez".
Se tudo correr bem, talvez volte a ouvir a mesma música na Primavera. Se eu voltar a ser eu, talvez alguém, algures, me volte a encontrar. Se eu voltar a sentir, talvez nada volte a ser como dantes.
http://www.youtube.com/watch?v=0YTh1Wsqo2c

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

domingo, 11 de novembro de 2012

De novo, nada.
Apenas a mesma realidade adormecida sobre todas as ausências.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Quando a esperança é muito grande, o buraco aos nossos pés cresce na mesma proporção.
O que é que te faz tão presente?
Um vislumbre, um som, uma cor ao longe, a palavra que te cita.

O mesmo que te afasta tanto e te envolve num sonho.
Que interesse tem o mundo, quando a distância é imensa?
Uma alma apaziguada, mantém-se em estado de revolução. Apenas se limita a aguardar o momento mais propício...

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Não há tréguas para este fogo.
Sigo um caminho que me leva a outro e a outro... Pensamento desordenado. Sigo em frente, a olhar para o lado. Porque a luz ao fundo me fere os olhos de tanto a desejar.
Afundo-me na distância. Só assim apago a memória. Porque assim fujo do furor da antecipação.

domingo, 4 de novembro de 2012

Esse imenso azul que me encanta, e que agora se esconde por trás de longínquas nuvens de tormento...

sábado, 3 de novembro de 2012

"Dame ahora tu boca: me la quiero comer con tu sonrisa
Jaime Sabines
"Se debe vivir de modo que se tenga, en el momento oportuno, la
voluntad de morir.
Hay muchos que mueren demasiado tarde y otros demasiado
pronto.
Muere en el momento justo. Ni un segundo antes, ni un segundo despues."

F. Nietzsche
"Sin metas de vida, 
sin retos, 
sin sueños, 
simplemente soy. 
Un amasijo de carne y 
sangre."
                                                                 
Abigail Avoleván
«Saudade do que sonhei sem ter adormecido. Saudade do que a minha mão quase alcançou...»

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Neste exacto momento tento reencontrar a noite, aquela noite. Mas hoje, até a Lua é diferente.
Vou perseguir o sonho. Pode ser que volte amanhã.

domingo, 28 de outubro de 2012

O que é que se faz a uma mão cheia de realidade que já não se quer?

O que é que se faz a um sonho que não se consegue alcançar?

Entre os dois, balanço, hesito, avanço e recuo incessantemente.
A realidade passa os dias na minha mão, um peso inexorável, perpétuo.
À noite deixo-a cair lentamente e apanho o sonho. Um instante, o espaço entre duas inspirações.
Depois vem a madrugada - o calor do sonho recua. O gelo volta a avançar, mais frio que antes.

O que é que se faz a esta realidade que não cessa?
Este vazio com a forma do teu corpo...
Dias inglórios: aqueles em que vamos ao fundo reunir os pedaços.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

E esta escuridão que não se ilumina...
Este silêncio caiado de negro
que sussurra em voz lenta de desgraça
E se estende na madrugada mais fria
Enquanto o som cristalino da Lua
Me embala em ondas de agonia

Passo a passo:
Um - verto o tempo sobre a noite
Dois - cubro-me com o lençol do medo
Três - deixo-me deslizar para lugar nenhum
e desperto... passo-a-passo

...e esta escuridão que não se ilumina!
É um jogo de tudo ou nada. É o único do qual percebo as regras. Não entendo o "meio-termo", o "vai-devagar, dá-tempo-ao-tempo", o "com-paciência-tudo-se-faz". A vida é para hoje. A paciência é a melhor qualidade dos cobardes. O compasso de espera é a miserável desculpa do medo. A "esperança" no futuro é a clara demissão do hoje, do momento, da vida! Viver para amanhã, é estar morto para sempre, porque não existe futuro, não existe amanhã! Existe hoje e agora! A cobardia vive sempre "para o futuro". O "futuro a deus pertence". Eu quero o que me pertence agora! Neste preciso momento! Não creio num deus de promessas que aponta para longe. Não creio num deus que não saiba dançar, agora! aqui! Não creio! Acreditar é investir no futuro. Investir no futuro é estar morto numa ilusão, é viver no sacrilégio de negação da vida! Acredito nos sentidos, no sentir vivo e presente, na pele, no cheiro, no sabor da vida! Acredito no querer agora, neste exacto momento, porque é agora que o sinto. Viver para o futuro é como olhar a luz de estrelas mortas há milhares de anos - não nos aquecem o coração, não nos arrepiam a pele, não nos deixam lançar o olhar sobre aquele que nos dá a mão. Estar aqui, é olhar nos olhos e sentir a ternura a derreter-nos como o sol. Amanhã? Amanhã posso estar morta!
É por isso que me elevo neste presente e olho em volta e vejo milhares de olhares fixos em ténues luzes de estrelas mortas. E oiço o meu próprio grito no plúmbeo silêncio da escuridão das estrelas. É aí, nesse lugar de futuro triste e vazio, que o meu sol se recusa a deixar de brilhar. É aí que me dou conta da solidão quente e iluminada que se me cola à pele. Porque nenhum olhar perdido nas estrelas mortas de luz me acompanha neste presente iluminado. Resisto ao grito, desisto do chamamento. A Terra está vazia de presente. Todos vivem no futuro. A morte está aqui disfarçada com as vestes de um amanhã luminoso que não existe.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

sábado, 20 de outubro de 2012

Se a vida te lança uma armadilha e te mente chamando-lhe oportunidade, finge que acreditas e entra nela de cabeça. Afinal, a vida é feita de enganos. Se fingires sempre, faz de conta que estás vivo.
Se a vida te lança uma armadilha, procura que seja uma das boas. Não há nada como morrer nos braços de uma boa mentira.
Levaste o que restava de mim. Trata-o bem, mostra-lhe as estrelas e a lua, deixa que corra livre sobre o teu corpo, beija-o a cada instante como só tu sabes. Não te desfaças desse pedaço que restou, porque é tudo o que tenho, é tudo o que sou. Fica por perto nesta fronteira de infinito em que nos encontramos sempre. Porque todos os teus instantes são infinitos para mim. Fica por perto e guarda nas tuas mãos esse pedaço. Fica, que eu espero.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

O fogo voltou a atear. Tenho que ir embora deste corpo, mas as pernas não andam.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Por isso estou aqui: entre o tudo e o nada para resolver o insolúvel. Os dedos perdem-se e prendem-se no labirinto dos nós, enquanto o tic-tac soa no relógio sem tempo. Enredo-me. E perco. Perco tudo.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

A antecipação e o desejo caminham de mãos dadas com o medo - assim se faz a vida.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Incendiei todas as pontes. Não vou fazer o caminho inverso! À minha frente, terra queimada - o único caminho!

terça-feira, 5 de junho de 2012

Foram tantos os dias que passaram do lado de fora, que decidi fechar finalmente a porta. Quando deitei a chave fora, doeu.

terça-feira, 15 de maio de 2012

Quem me julga? Quem esconde entre quinquilharia mal envernizada os mais finos ódios e as mais ridículas paixões.

domingo, 13 de maio de 2012

Não me agradam estes dias que passam fora de nós. A palavra é o que resta. E encontra-se suspensa entre os grãos de pó. Não me agradam os dias sem palavras. Fico por aqui num silêncio esperançoso de ouvir dizer "já cheguei".

sábado, 12 de maio de 2012

A vida é feita de farrapos, retalhos de amor que vêm tão subitamente como vão. A vida não é a distância mais curta entre dois pontos. É a espiral vertiginosa de momentos sem ligação entre si, instantes cheios de nada. E quando adormeço, flutuo entre o vazio e o Inferno: um instante de desassossego inconsciente.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Há coisas que nos atraem pela beleza, simplesmente porque estamos privados delas.

quinta-feira, 15 de março de 2012

Descer uma e outra vez. Escorregar pelos lados do mundo como se este fosse redondo. Manter a metáfora acesa como luz que cega o olhar indiferente. Viver apenas para respirar. Esgotar a angústia até já nada haver. É onde resido.

sexta-feira, 2 de março de 2012

Não há motivo algum para não estarmos sós quando não obedecemos às divinas leis dos modelos instituídos.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Se o mundo acabasse agora... do que é que cada um de nós se orgulharia?

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Hoje apetecia-me dizer toda a verdade! Matar de vez a hipocrisia! Mas não posso. O inferno digere-se lentamente na solidão.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Afinal, o que somos? Somos, para cada um dos outros, uma pessoa diferente. Pensamos-nos como um, face ao olhar exigente e interrogador do outro, de cada outro. E somos o que cada outro espera que sejamos. O que faz de cada um de nós, milhares num só. E não somos assim. Nunca somos como os outros, cada um dos outros, exige que sejamos. Somos outra coisa. Somos muito mais, ou nada disso que mostramos. Não mostramos o que somos, porquê? Para não ver desilusão, cansaço, afastamento. Para não ter que lidar com o vazio. Mas as máscaras que criamos para os outros, são insustentáveis. Pesam na alma como chumbo. E desiludem-nos, cansam-nos, afastam-nos de nós próprios. E a seguir vem o vazio dentro de nós. Continuamos a sustentar as máscaras, apenas por puro hábito. Mas agora já descarnadas, mortas, sem brilho. Porque sabemos que não somos assim, porque já não importa, porque apenas queremos continuar a respirar. Como se o direito à vida tivesse que ser conquistado a cada passo. Como se o direito à vida fosse um querer obsceno e puramente egoísta. É assim que nos sentimos. Porque a ânsia de desistência é obscenamente dolorosa.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

"Todo aquele que tem uma razão para viver, pode suportar qualquer forma de fazê-lo."
Nietzsche

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Uma brisa antiga sussurra-me por entre os dedos
na quietude das noites, sussurra.
Fecho a mão. E ela não fica.
Escorre mais rápida que areia,
mais leve que o ar.
Mergulho num raio de sol diferente,
na esperança de apagar a brisa da memória
por breves instantes.
Adormeço.
E ela volta. Como um vento forte que devasta,
afastando o raio de sol.
Abro a mão. E ela passa uma e outra vez,
leve, forte, imperiosa!
Fico assim.
Porque sei que os raios de sol vêm e vão,
e a brisa é eterna.
Porque me sussurra por entre os dedos
desde sempre.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

domingo, 29 de janeiro de 2012

O que realmente vale a pena: respirar - porque tem que ser, porque devemos isso aos que directamente dependem de nós, porque é a única forma de os manter equilibrados.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Haverá alegria na derrota? Tem que haver! A alegria de ter ultrapassado a angústia antecipada da derrota, a alegria de poder baixar os braços e não lutar mais.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Entrar em queda livre. Fechar as asas. É assim que se caça ou assim que se morre.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

O centro da roda une os raios, dá movimento à roda. Mas os raios não se tocam - desconhecem-se entre si.

sábado, 21 de janeiro de 2012

Eu sou a porta. Vidas que saem momentaneamente do quotidiano para a ilusão de aventura. Ninguém olha a porta: limitam-se a passar.
Dois pólos: a raiva e o vazio sustentam-me. Eu sou o pêndulo.
Vontade física é puro esforço errante. É o que há. Nada Mais. Para lá disso, é vazio infindo.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

A iminência da total ruptura - haverá forma mais fácil de nos desligarmos da vida? A partir daqui, viver o perigo é viver a vida.
Querem paz? Eu dou-lhes paz! Não me peçam mais nada, porque para além desse simulacro, só tenho guerra e incerteza.
Nem um voluntário para voar comigo dentro do abismo. Os que me acompanham, estão pela festa. Já vejo uns quantos braços no ar, entusiasmados.
A vida soma-se em actos de desespero. A única maneira de ganhar esta guerra, é morrer com bom aspecto.