sábado, 18 de fevereiro de 2012

Afinal, o que somos? Somos, para cada um dos outros, uma pessoa diferente. Pensamos-nos como um, face ao olhar exigente e interrogador do outro, de cada outro. E somos o que cada outro espera que sejamos. O que faz de cada um de nós, milhares num só. E não somos assim. Nunca somos como os outros, cada um dos outros, exige que sejamos. Somos outra coisa. Somos muito mais, ou nada disso que mostramos. Não mostramos o que somos, porquê? Para não ver desilusão, cansaço, afastamento. Para não ter que lidar com o vazio. Mas as máscaras que criamos para os outros, são insustentáveis. Pesam na alma como chumbo. E desiludem-nos, cansam-nos, afastam-nos de nós próprios. E a seguir vem o vazio dentro de nós. Continuamos a sustentar as máscaras, apenas por puro hábito. Mas agora já descarnadas, mortas, sem brilho. Porque sabemos que não somos assim, porque já não importa, porque apenas queremos continuar a respirar. Como se o direito à vida tivesse que ser conquistado a cada passo. Como se o direito à vida fosse um querer obsceno e puramente egoísta. É assim que nos sentimos. Porque a ânsia de desistência é obscenamente dolorosa.

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